EMPREENDEDORISMO EDUCACIONAL


Se formos tentar definir um escopo de empreendedorismo e atuação da Sociedade Global seria a educação. A motivação inicial foi a necessidade de se ampliar a visão global de mundo dos cidadãos para que possam compreender os desafios que enfrentamos como humanidade e assim adquirir as capacidades necessárias para serem agentes de transformação na nossa realidade.

Hoje tratamos o tema como paradigma do desenvolvimento. Se olharmos para os conceitos e teorias do desenvolvimento, que ultrapassam a visão do desenvolvimento econômico, podemos encontrar primeiramente o desenvolvimento humano que deu origem ao IDH resgatando a centralidade do indivíduo nos processos de desenvolvimento. Visão essa fortalecida e ampliada pelo conceito de “desenvolvimento como liberdade” de Amartya Sen, Nobel de economia, que trata o desenvolvimento como as oportunidades e liberdades que os indivíduos devem possuir para alcançar seu próprio desenvolvimento. Essa teoria se consolidou no que a comunidade internacional das agências e profissionais do desenvolvimento chamam de “desenvolvimento de capacidades”, citando uma definição do PNUD, por exemplo, “processo pelo qual indivíduos, organizações e sociedades obtêm, fortalecem e mantêm suas capacidades para atingir seus próprios objetivos de desenvolvimento através do tempo”. Assim ampliamos nosso escopo da motivação inicial de trabalhar a educação global e a educação para o desenvolvimento sustentável, para promover o desenvolvimento de capacidades.

Mas aprofundado um pouco mais as possibilidades de empreendedorismo na educação dentro do escopo de atuação e práticas que adotamos e tendo como princípio os níveis de desenvolvimento de capacidades sugerimos algumas linhas de atuação e empreendedorismo:


Para os indivíduos. Todos sabemos sobre a importância de se aprofundar qualitativamente a educação brasileira, tendo como intuito primordial a formação de cidadãos conscientes e participativos na sociedade, para além da educação para o mercado de trabalho. Os países que hoje usufruem da qualidade de vida, tiveram na educação a principal estratégia. Tomando por exemplo a União Europeia um dos temas mais difundidos é a importância de educar seus jovens nas escolas e universidades para exercerem sua cidadania global. Ou seja, esse conceito vem carregado de novos conteúdos necessários para uma aprendizagem integral e emancipatória, sejam eles os direitos humanos, a diversidade cultural, a sustentabilidade, a democracia ou a paz. Todos os elementos que ainda vemos uma defasagem muito grande de aprofundamento de conteúdos em todos os níveis da educação. E a isso se somam as práticas de competências humanas e técnicas e principalmente uma educação baseada em valores para que os estudantes possam despertar seu potencial de contribuição na sociedade.


Para as organizações e instituições. Sabemos também da importância de novos métodos, didáticas e gestão da aprendizagem. A atualidade requer mais do que as aulas expositivos, trabalhos em grupos ou alguns métodos lúdicos desalinhados de um contexto sistêmico. Trata-se da importância de se ter uma abordagem ampla de renovação curricular, de formação de professores e de atuação da escola ou universidade para ator ativo no desenvolvimento de suas localidades. E o mesmo se aplica às instituições responsáveis por formular e implementar as políticas públicas, se seus sistemas e funcionários não tiverem as mesmas capacidades, assim como os recursos necessários não alcançaremos uma nova educação que promova o desenvolvimento de nosso país.


Para o ambiente favorável ou sistema. Esse nível do desenvolvimento de capacidades propõem antes de mais nada a mudança cultural da valorização da educação de qualidade e transformadora como padrão fundamental de uma dada sociedade. Aqui também a promoção do conjuntos de leis e incentivos necessários para que o ambiente favoreça a educação, com as capacidades de fazer valer os direitos e garantir a ampliação da visão tradicional do que conhecemos como educação.

Em todas essas dimensões existem as lacunas e oportunidades que não são mais exclusivas das escolas e instituições públicas de ensino suprirem. Mas também do setor privado que poderá empreender cada vez mais as inovações necessárias para o bem comum. Para os professores e estudantes que assumem a responsabilidade de propor novas soluções e projetos para a superação dos entraves. E principalmente para uma nova geração de empreendedores sociais que buscam superar de uma vez por todas, a partir da educação não formal ou informal, incidindo em últimas instâncias na educação formal e nas políticas públicas, verdadeiras propostas de educação pertinentes para os desafios da atualidade.


Para nós da Sociedade Global, empreendedorismo educacional é propor inovações integrais e sistêmicas nas dimensões da aprendizagem, se preocupando com a profundidade e relevância dos conteúdos e temas tratados, da pertinência e adequação dos métodos utilizados, mas principalmente com a preocupação de estarmos de fato educando cidadãos e profissionais capazes de transformar nossa sociedade de forma justa, sustentável e pacífica.


“Fortalecer as condições de possibilidade da emergência de uma sociedade-mundo composta por cidadãos protagonistas, conscientes e criticamente comprometidos com a construção de uma civilização planetária”. Edgar Morin


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